Desafio 9
Carta de despedida
Material necessário: Papel, caneta
Inspiração:
Há alguém que decide partir, depois de uma difícil e longa reflexão, mas deseja explicar ao que fica todas as razões que o levaram a esse ato desesperado.
Exercício: Tu és aquele que parte e que deixa uma longa carta de despedida com todas as explicações àquele que fica.
Carta de despedida
Certamente alguém chegou a casa e encontrou esta
carta em cima da secretária. Não sei quem a irá ver primeiro mas nada disso
importa. Quero que te mantenhas calmo e que guardes todos esses pensamentos
negativos que estás a ter agora.
Eu era um rapaz feliz, vivia numa vila e adorava
tudo nela. Eu sentia-me parte dessa vila, da família em que me vi nascer. Eu
brincava, eu pulava, eu cantava e alegrava todos à minha volta. Eu era uma
criança, via o mundo numa tela pintada com as mais maravilhosas cores e
sentimentos.
Mas eu cresci…Tornei-me num jovem e percebi que essa tela não passava de cores neutras e escuras. Todo o encanto e toda a magia desapareceram dando lugar a uma vila fétida de cadáveres, de ratos entre becos e do odor nauseabundo dos esgotos nas ruas. As paredes caídas de uma límpida e natural frescura estavam agora em putrefação como todos os sonhos que tinha comigo. O sol que dava a cor dourada ao trigo e ao centeio deixara de brilhar, tornando o dia em noite e trazendo consigo a morte de um ecossistema que tanto embeleza as paisagens alentejanas.
Mas eu cresci…Tornei-me num jovem e percebi que essa tela não passava de cores neutras e escuras. Todo o encanto e toda a magia desapareceram dando lugar a uma vila fétida de cadáveres, de ratos entre becos e do odor nauseabundo dos esgotos nas ruas. As paredes caídas de uma límpida e natural frescura estavam agora em putrefação como todos os sonhos que tinha comigo. O sol que dava a cor dourada ao trigo e ao centeio deixara de brilhar, tornando o dia em noite e trazendo consigo a morte de um ecossistema que tanto embeleza as paisagens alentejanas.
Sinto-me como um pintor que acabou de destruir o
melhor da sua arte. Sinto-me mal por caracterizar e ver algo tão negro de um
sítio tão calmo onde eu nasci mas é a realidade onde me encontro, e por isso eu
necessito partir. Não avisei antes, não tenciono avisar depois, terá que ser
agora. Não aguento mais um dia viver na minha sombra, vazio e confuso.
Não chores, não te sintas mal, sorri porque estou a
caminho de um lugar melhor, de um lugar onde as cores têm sentimentos, onde os
sonhos voam livres no meio das borboletas, onde finalmente poderei descansar
envolvido entre gargalhadas e de um sol maravilhoso que tanto eu necessito.
Sei que irão sentir a falta do rapaz que nesta
secretária estava todo o dia. Sei que irão sentir falta do rapaz que sorria,
que fazia piadas mas, acreditem, esse rapaz um dia irá voltar. Não hoje, não amanhã,
nem daqui a um ano, mas irá voltar com o brilho nos seus olhos azuis, com um
sorriso de orelha a orelha e de braços abertos para transmitir a pureza que
tanta bate no seu coração.
D. M.


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