Desafio:Escrever!

Caros alunos!

Sei que todos gostam de ouvir contar histórias....

O que vos proponho aqui é que juntem as palavras para fabricar histórias.

Porém, não deixo a inspiração a vosso cargo, lanço-vos antes um desafio!

Na verdade, fui buscar a ideia a uma autora, Marta Tê, que escreveu um livro/bloco de notas cujo título era, justamente, Desafio: Escrever! . A autora lançava temas e, no final de tais exercícios de escrita, estaríamos aptos a escrever um conto ou uma novela.

Vou apresentar os desafios desta autora (espero não ser processada) na esperança de que os aceitem.

Pensaremos depois na publicação das vossas obras. Se não for possível, sempre podemos contar com os ouvidos atentos de uma criança. Haja criatividade e inspiração!

Helena Antunes





segunda-feira, 4 de maio de 2015


Desafio 9
Carta de despedida

 Material necessário: Papel, caneta

Inspiração:
Há alguém que decide partir, depois de uma difícil e longa reflexão, mas deseja explicar ao que fica todas as razões que o levaram a esse ato desesperado.

Exercício: Tu és aquele que parte e que deixa uma longa carta de despedida com todas as explicações àquele que fica.


Carta de despedida

     Certamente alguém chegou a casa e encontrou esta carta em cima da secretária. Não sei quem a irá ver primeiro mas nada disso importa. Quero que te mantenhas calmo e que guardes todos esses pensamentos negativos que estás a ter agora.
    Eu era um rapaz feliz, vivia numa vila e adorava tudo nela. Eu sentia-me parte dessa vila, da família em que me vi nascer. Eu brincava, eu pulava, eu cantava e alegrava todos à minha volta. Eu era uma criança, via o mundo numa tela pintada com as mais maravilhosas cores e sentimentos.
      Mas eu cresci…Tornei-me num jovem e percebi que essa tela não passava de cores neutras e escuras. Todo o encanto e toda a magia desapareceram dando lugar a uma vila fétida de cadáveres, de ratos entre becos e do odor nauseabundo dos esgotos nas ruas. As paredes caídas de uma límpida e natural frescura estavam agora em putrefação como todos os sonhos que tinha comigo. O sol que dava a cor dourada ao trigo e ao centeio deixara de brilhar, tornando o dia em noite e trazendo consigo a morte de um ecossistema que tanto embeleza as paisagens alentejanas.
    Sinto-me como um pintor que acabou de destruir o melhor da sua arte. Sinto-me mal por caracterizar e ver algo tão negro de um sítio tão calmo onde eu nasci mas é a realidade onde me encontro, e por isso eu necessito partir. Não avisei antes, não tenciono avisar depois, terá que ser agora. Não aguento mais um dia viver na minha sombra, vazio e confuso.
    Não chores, não te sintas mal, sorri porque estou a caminho de um lugar melhor, de um lugar onde as cores têm sentimentos, onde os sonhos voam livres no meio das borboletas, onde finalmente poderei descansar envolvido entre gargalhadas e de um sol maravilhoso que tanto eu necessito.
    Sei que irão sentir a falta do rapaz que nesta secretária estava todo o dia. Sei que irão sentir falta do rapaz que sorria, que fazia piadas mas, acreditem, esse rapaz um dia irá voltar. Não hoje, não amanhã, nem daqui a um ano, mas irá voltar com o brilho nos seus olhos azuis, com um sorriso de orelha a orelha e de braços abertos para transmitir a pureza que tanta bate no seu coração.
D. M.

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